Olá a todas!
Todas vocês sabem que eu trabalho em hospital.
E já tem um tempinho....
Não vou dizer que adoro, pois não é um ambiente super feliz.... é um ambiente onde a vida e a morte estão numa linha tênue entre quem vai e quem fica resistindo por mais um tempo.
Eu amo ser Farmacêutica, já falei isso aqui um milhão de vezes (ou mais).
Amo mesmo, acho que ninguém tem ideia do amor que eu tenho pela profissão que eu escolhi para mim. E dentre todas as áreas possíveis eu resolvi ser Farmacêutica Hospitalar. Fiz uma especialização (uma residência como a residência médica) de dois anos num hospital municipal, com programa de aprendizado de uma universidade federal, exatamente para falar com orgulho: sou Farmacêutica Hospitalar.
Aí fico pensando o que me fez tomar essa decisão.
Me vem na mente: o gostar de lidar.
Lidar com pessoas.
Quem trabalha com gente, tem que gostar de... gente... e gostar muito, não é pouco não, tá?
Aí, alguém pergunta, ah, mas todo mundo não trabalha com gente?
De certa forma, sim.... Mas trabalhamos com gente doente, debilitada, muitas vezes incapaz. E é preciso ter sangue frio (no caso de quem lida diretamente), muita paciência (porque tem paciente que chamam as técnicas de enfermagem para trocar o canal da tv... que tem controle remoto ahahahaha) e muita ternura. Porque quando um paciente te aborda no corredor, só porque você está de jaleco branco, teu plantão pode estar um verdadeiro caos, mas você tem que tratar bem, pois é a imagem do seu serviço que você está passando para ele. E nunca quero passar uma má impressão, se não perdemos a credibilidade.
O lidar com essas pessoas e seus acompanhantes precisa ser delicado, com jeito. Não com pena. Jamais tenho pena. Quem tem pena é pato, pombo, galinha....
Estamos prestando um serviço. Fato. Por esse motivo devemos prestar nosso serviço com o máximo de qualidade possível. Sempre. Porque isso é o que eu esperaria se estivesses do outro lado da corda.
É claro que existem pessoas e pessoas.
Existem pessoas que eu me pegunto todo santo dia porque diabos ela escolheu enfermagem se reclama todo o tempo? Se dá os medicamentos todos fora do horário? Se reclama que tem que trocar a fralda....
Amiga, escolheu esse ofício, agora segura!
Já ouvi pediatra reclamar das crianças chorando....
É claro que todos reclamamos um pouco.... é da natureza humana.
Eu mesma reclamo da letra do médico que é horrível, das milhões de trocas que ele faz na prescrição, do telefone que não para de tocar (o telefone móvel fica do meu lado e eu atendo no primeiro toque porque odeio o telefone tocando sem ninguém atender)... Enfim.. Mas não podemos transformar isso num lamento.
Trabalho com algumas pessoas maravilhosas que só querem uma coisa: o bem estar do paciente. Seja ele receber o medicamento na hora certa, ou tomar 1 comprimido ao invés de 2.
Gente que ama cuidar.
Cuidar de uma pessoa que você não conhece, como se fosse seu parente!
Poderia ser minha mãe ou meu pai ou meu vizinho... não importa!
Para trabalhar nessa área é preciso muito amor pelo cuidado, pelo lidar com o outro.
Penso que essa é a meta a ser alcançada por todos que trabalham na área da saúde.
Em outro hospital eu já atendi paciente cego no ambulatório. Como que eu fiz? Segurei a mão dele e fiz ele tocar e sentir o tamanho de cada comprimido.
Já atendi senhorinha que queria me bater pois não podia dar para ela um frasco de medicamento sem receita. Sério, tive que chamar a segurança.
Já recebi elogios, dizendo: nossa, você tem uma paciência para lidar com gente da nossa idade (e olha que eu nem sou essa maravilha de pessoa, rsrsrsrs).
Mas se tem uma coisa que eu aprendi nesses meus anos de estrada foi que abrir um sorriso é o primeiro caminho para uma boa recepção por parte do outro. Até o sorrir quando se atende o telefone. Sério. A pessoa do outro lado da linha percebe e na maioria dos casos devolve a simpatia e a gentileza.
Outra coisa é que lidar com pessoas é uma das coisas mais complicadas que existe na face da terra, então temos mesmo que aprender fazendo... entre erros e acertos.
No final das contas, eu levo comigo o mantra: eu escolhi essa profissão para mim, portanto quero fazer o meu serviço da melhor forma que eu puder encontrar. Se a outra pessoa me agradecer, ótimo, fico feliz! Se não, não tem problema, faço bem feito mais por mim do que por ela.
Por hoje é isso...